sexta-feira, 6 de março de 2009

Fidel sobre a globalização neoliberal

texto extraído do blog do Emir Sader


A TV cubana transmite o Encontro dos Economistas em todas as suas atividades, de forma direta, em TV aberta, para todo o país. Há mesas com grandes temas, à tarde e à noite, assim como comissões de manhã, divididas em temas: finanças, desenvolvimento: políticas agrárias e segurança alimentar, crise econômica global, temas sociais, energia e meio ambiente, desenvolvimento e globalização e integração.

O presidente da Associação de Economistas Cubanos, Roberto Verrier, recordou, no seu discurso de abertura do evento, palavras proferidas por Fidel Castro no Encontro realizado em janeiro de 1999, há 10 anos, no primeiro Encontro de Economistas, quando poucos se atreviam a prever a crise que vive hoje:

“Que tipo de globalização temos hoje? Uma globalização neoliberal; muitos de nós a chamamos assim. Ela é sustentável? Não. Poderá subsistir por muito tempo? Absolutamente não. Por séculos? Categoricamente não. Durará apenas décadas? Sim, só décadas. Porém mais cedo do que se imagina terá que deixar de existir.”

“Será que eu acredito que eu sou uma espécie de profeta ou de adivinho? Não. Conheço muito de economia? Não. Quase absolutamente nada. Para afirmar o que eu disse basta saber somar, diminuir, multiplicar e dividir. O que aprendem as crianças na escola primária.”

“Como vai se produzir a transição? Não sabemos ainda. Mediante grandes revoluções violentas ou grandes guerras? Parece improvável, irracional e suicida. Mediante profundas e catastróficas crises? Infelizmente é o mais provável, quase quase inevitável e transcorrerá por vias e formas de luta muito diversas...”

Comentou Verrier: “Aquele discurso nos desconcertou a todos por sua brevidade e contundência, quando ainda estávamos por constatar seu profundo avanço sobre os acontecimentos que se precipitaram no lapso de uma década.”

E, mais adiante, disse: “Se requer uma análise séria, profunda e rigorosa sobre a crise econômica global e seu impacto no setor financeiro. É imprescindível um novo desenho da ordem econômica internacional e uma reestruturação de sua arquitetura financeira. Toda analise sobre este tema requer a mais ampla participação da comunidade internacional. Todos os países e, em particular, os países em via de desenvolvimento, têm o direito a estar presentes, a aportar seus pontos de vista e perspectivas, e a fazer parte das soluções que se definam.”

quinta-feira, 5 de março de 2009

Faz pensar

Globalização

De João Campos Nunes

Estação de trem do Brás. Oito horas da manhã de uma segunda feira chuvosa. Milhares se aglutinam - ocupando sim, o mesmo espaço - em busca das escadas rolantes, que muito estressadas a essa hora da manhã costumam parar - pura birra. Tudo na mais perfeita desordem. Contudo, algo chamava a atenção:

Um totem, com dois metros de altura ao meio do caminho. Aos que sabiam - e o tinham como hábito - ler, a situação causava ainda maior estranheza. Diziam letras vermelhas: "Pressione o botão para retirar cem dólares, contudo, um chinês será morto".
Um senhor de alguma idade parou em frente ao botão vermelho e parecia refletir sobre a situação, um pouco depois foi embora coçando a cabeça. Dois ou três jovens agora liam e reliam os dizeres, seus olhos iam do botão até a gavetinha igual à de caixas eletrônicos onde supostamente sairia o dinheiro. Quando já se formara uma grande roda de pessoas envolta do totem, ouvia-se de tudo:
- É pegadinha, olha a câmera lá. - Disse uma senhora
- Será que é de verdade?
- Como assim, a vida de um ser humano por cem dólares?
- Um chinês a mais ou a menos. - Disse um motoqueiro que deu dois passos adiante e pressionou o botão. A máquina gemeu, um barulho de guilhotina ecoou pela estação. Depois a gavetinha se abriu e uma nota verde vibrou aliviada. O motoqueiro estava pasmo, puxou a nota, verificou se era verdadeira e abriu espaço na multidão, mais pasma que ele. Uma vaia se esboçou, mas foi logo amordaçada. A estação virou um caos. Centenas se confundiam um com as pernas dos outros, não se sabia qual era entre tantas a sua mão, todos buscavam o botão. Um visor laranja acima do totem contava, e subia rapidamente. Só se ouvia gritos de discórdia Essa nota é minha, ou esse chinês era meu! E a máquina guilhotinava e agradecia gentil com outra nota, e outra e outra vez.
É a fralda das crianças, pensavam, se eu não pegar esse dinheiro quem vai morrer sou eu, não deve ser verdade. Alguém até soltou: Que negócio da china!
Quando o visor contava dez mil. A máquina se silenciou. Só depois de algum tempo as pessoas se convenceram que a máquina tinha cansado de tanto sangue. E começaram a voltar a suas vidas normais, contudo duzentos reais menos pobres. A culpa repartida não deveria vir cobrá-los.

Estação de trem de Pequim. Oito horas da manhã de uma segunda feira chuvosa. Milhares se aglutinam em busca das escadas rolantes, que muito estressadas a essa hora da manhã costumam parar. Contudo, algo chamava a atenção: Um totem, com dois metros de altura ao meio do caminho. Diziam letras vermelhas: "Pressione o botão para suicidar-se e doar cem dólares para um brasileiro".

terça-feira, 3 de março de 2009

Esse merece o nosso mais que tradicional "joinha, joinha!"

Elucubrações anhaianas

De Fábio Reynol


Caro leitor, cada um elucubra onde mais lhe apetece. Uns preferem refletir sob o chuveiro morno para que os miolos se amaciem, outros gostam de fazer suas viagens intelectuais em carrinhos de supermercado donde tiram verdadeiros compêndios sobre o comportamento humanoconsumista, José Anhaia elegeu o áurico e sagrado espaço de seu vaso sanitário para deitar fora as mais preciosas reflexões sobre o universo que aí está. Ironia pura o fato de na mesma hora e local serem deitadas fora outras criações de suas entranhas bem menos preciosas, para não dizer o contrário, bem abjetas. Bom, detenhamo-nos às primeiras e deixemos as segundas para um ensaio de outro cronista descompromissado com os pudores de uma crônica familiar como esta.

A escolha do privilegiado ambiente sanitário para os exercícios do intelecto já lhe trouxe consequências das mais curiosas. A mais interessante é que quanto mais tempo ele passa no trono, mais profundas são suas conclusões e mais sofisticada se torna a sua linha de raciocínio. Uma diarréia, por exemplo, pode ser a catalizadora de um ensaio sobre a taciturnidade inerente às aves de rapina comedoras de matéria putrefata ou sobre a etmologia do vocábulo “estrovenga”, ou ainda sobre a incompreensibilidade do termo “graças a Deus” aplicado às situações favoráveis, mas jamais empregado aos reveses da vida.

Outra curiosidade é notá-lo aquietado, sem perguntas a colocar, nem ensaios a apresentar. Nesses momentos, raros é verdade, o diagnótico é certo: “o senhor está com o intestino preso, não é, seo José?” O fato é que a sua atividade intestinal está intimamente ligada de alguma forma à sua atividade mental. O que me faz acreditar que um purgante ou uma infecção intestinal o faria rescrever a teoria da relatividade, e lhe renderia com certeza um Nobel.

Só não se atreva a interrompê-lo durante seu processo criativo, o último que fez isso teve um fim trágico. Conta o próprio sábio que um dia estava ele a soltar pensamentos a esmo pelo vaso sanitário quando uma criatura resolveu atrapalhá-lo: “Era um mosquito da dengue", lembra o sapiente. "O safado deu um voo rasante no meu nariz. Quando retornou da volta de reconhecimento, dei-lhe um safanão na orelha direita que ela deve ter ficado zunindo. Atordoado, ele entrou em meidei e já foi procurando um rio Hudson para fazer um pouso de emergência. Desceu de barriga sobre uma poça no chão e começou a taxiar. Antes que ele pudesse iniciar os reparos, esmaguei sua fuselagem com um pisão”, conta orgulhoso J. Anhaia o seu grande feito de guerra.

Descartes dizia que pensava e por isso existia, Anhaia o reescreve com o seu “cago, logo penso”! É o fundador do racionalismo diarréico ou anhaiano.


segunda-feira, 2 de março de 2009

Por motivos ético-interpretativos e no exercício de suas atribuições esta postagem foi removida pelo magnânimo-ypsilones-ó-salve-salve presidente da instituição...

ponto


E tenho dito!

domingo, 1 de março de 2009

Parafraseando (o Rainho)...

Hoje, Liliana faria 32 anos.

Seu sorriso jamais será esquecido.

Quanta honra tê-la conhecido e feito parte de sua vida!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Essa também é muito boa!



Faz sentido!