quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O jogo da terra alheia, de Affonso Romano de Sant'Anna

O povo que não tem pátria, patriota,
combate o povo que ontem nem pátria tinha.
E o fato é que o mais fraco

vai de novo pagar o pato
sem que se saiba ao certo
se o ovo nasceu primeiro
ou se, ao contrário,a galinha.


É isto fábula de rato e gato?
história de cordeiro e lobo?
De fato o povo que outrora
não tinha pátria própria
combateu em pátria alheia
para ter sua própria pátria.
E agora na pátria própria
combatem em alheia pátria
os que, sem pátria, combatem
prá ter, enfim, pátria própria.


Não se sabe por que não podem
compartir a própria pátria
esses que compartem a pátria alheia.
São aranhas enredadas
no ódio da própria teia?
Por que não compartem a terra e o céu
como as flores e pássaros
compartem a aldeia?
Há fim? há princípio

nesta história redonda e torta?
Por que não compartem a sorte
e a vida, esses compatriotas
do horror e morte? Além do mais,
se há tanto tempo compartem a guerra
por que não podem compartir a paz?


Mais um expediente da Susanna.

1 comenta aí, amizade!:

Sus-pensa disse...

Noooooooooossa!

Esse demorou a entrar aqui, hein?
Mas chegou, enfim! rs

E, falemos a verdade: "Affonsinho" é sempre "Affonsinho", não é?

Beijo!

Ps.: adorei o subtítulo - A notícia em último lugar! rsrsrs

Capcioso, muito! rs