sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cada um de volta ao seu quadrado: Uma previsão desalentadora

Neste período haverá resistência e haverá conflitos sociais agudos, e se a crise se prolongar, deverão se multiplicar as rebeliões sociais e as guerras civis nas zonas de fratura do sistema mundial, e é provável que algumas destas rebeliões voltem a se colocar objetivos socialistas. Mas do nosso ponto de vista, não haverá uma mudança de modo de produção em escala mundial, nem tampouco ocorrerá uma superação hegeliana do sistema inter-estatal capitalista. A análise é de José Luís Fiori. Leia mais...



A Coisa pública e a privada, de Affonso Romano de Sant'Anna *

(REPUBLICA - vem do latim "res"= coisa + publica)

  

Entre a coisa pública

e a privada

achou-se a República

assentada.

 

Uns queriam privar

da coisa pública

outros queriam provar

da privada,

conquanto, é claro,

que, na provação,

a privada, publicamente

parecesse perfumada.

 

Dessa luta intestina

entre a gula pública e a privada

a República

acabou desarranjada

e já ninguém sabia

quando era a empresa pública

privada pública

ou

pública privada.

 

Assim ia a rês pública: avacalhada

uma rês pública: charqueada

uma rês pública, publicamente

corneada, que por mais

que lhe batessem na cangalha

mais vivia escangalhada.

 

Qual o jeito?

Submetê-la a um jejum?

Ou dar purgante à esganada

que  embora a prisão de ventre

tinha a pança inflacionada?

 

O que fazer?

Privatizar a privada

onde estão todos

publicamente assentados?

Ou publicar, de uma penada,

que a coisa pública

se deixar de ser privada

pode ser recuperada?

 

-Sim, é preciso sanear,

desinfectar a coisa pública,

limpar a verba malversada,

dar descarga na privada.

 

Enfim, acabar com a alquimia

de empresas públicas-privadas

que querem ver suas fezes

em ouro alheio transformadas.



* Gentilmente enviado por nossa correspondente Susanna Lima sob o patrocínio do Frigorífico Brasil: porque o nosso cachorro é amarrado com linguiça!



"Minha alma canta. Vejo o Rio de Janeiro"...




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Joinha, joinha!

Hoje, um grafite inofensivo; amanhã, propaganda da coca-cola!

O vírus da estação

Por Sidney Andrade


E se restava ainda alguma dúvida de que o mundo está doente, eis os porquinhos de agora pra nos provar que nem só de pão viverá o homem, mas de todo bacon que ele conseguir descontaminar. Eu tento, mas não consigo não ser sarcástico, suspeito que numa época de modismos exacerbados, até as epidemias têm tendência. Se antes a preocupação vinha do ambiente, assim meio que como uma caixinha de surpresa saltava da água suja uma cólera, depois uma picadinha de mosquito e lá vinha a dengue, enfim, moléstias de “por onde andei”, a moda do século vinte e um é vírus mutante em pele de animal.


E quem não se lembra que um tempinho atrás eram as aves as protagonistas? Como toda boa modinha, autodestrutiva, era o cúmulo do paradoxo: canja, o melhor remédio pra toda gripe, nem pensar! Esse negócio de fama é mesmo muito fugaz, mal deu tempo e já as penas estão ultrapassadas. O porco é o novo frango. Rosa é a cor da estação.


Mas ainda há um mínimo de consciência ambiental! Porque o contágio da gripe suína não se dá através dos porcos. A transmissão é feita de pessoa pra pessoa, e seguindo a linha politicamente correta que é também tendência do século, resolveu-se rebatizar a doença, para que os porquinhos não sejam sacrificados inocentemente, feito as bruxas da inquisição. O nome agora é Gripe A H1N1. O vírus evoluiu dos bichos e é passado adiante feito a boa e velha gripe do tempo da vovó. Mesmo assim, ainda não confio muito: e como foi que a primeira pessoa se contaminou? Talvez um fazendeiro muito apegado que costumasse dar beijinhos de bom-dia nos seus bichinhos.


Desconfianças à parte, um eufemismo é sempre mais atraente. Termos científicos chegaram com tudo nesse começo de século. E essa coisa de misturar números com letras dá um tom mais solene ao problema, a gravidade parece que aumenta: feito mãe zangada que chama o filho pelo nome completo pra ele perceber a encrenca em que se meteu.


É fato: a paranóia reina. Tanto que, agora, qualquer espirrozinho estremece o mundo. Mesmo os jornais repetindo incansavelmente – e eu já exausto de escutar – que a doença ainda não deu sinais no Brasil (ai, ai, até nesse ponto as novas tendências chegam por último aqui), não pude evitar de cogitar a possibilidade: mamãe ficou resfriada essa semana.


E lá vou eu investigar, temeroso, todas as implicações da doença. O que só serviu pra aumentar minha aflição. Os sintomas são quase os mesmos da démodé gripe do frango, que, por sua vez, não diferiam muito – ao meu olhar de leigo, claro – dos da gripe pré-histórica banal. Uma febre, tosse, nariz escorrendo, dores de cabeça e no corpo: pronto, mamãe, com complexo de Elvira Pagã (primeira brasileira a usar biquíni, nas praias de Copacabana), ousada, vai ser pioneira no Brasil. No fim, foi apenas um dia de resfriado.


E, mesmo assim, ainda não sosseguei. Hoje mesmo tive uma dor de cabeça mais aguda e uma indisposição. Quem riria de mim se eu dissesse que já pensei na desgraçada da A H1N1? O alarde, ao invés de acalmar, parece provocar um tal placebo às avessas.


Bem, teve o mal da vaca louca, depois as aves, agora os porcos. Será que peixe também fica gripado?


Texto diligentemente garimpado por nossa fiel correspondente-escudeiraSusanna Fernandes Lima em mais uma de suas investigações intenéticas.

sábado, 2 de maio de 2009

Com abuso poético

Quando eu nasci, um anjo glutão e deselegante, desses que usam barba comprida, carregam nas asas cinzentas e carcomidas o peso de dez mil batalhas místicas e tem tatuagem na barriga, veio a mim e disse: Vai ser rebelde, meu filho! Vai agitar vespeiro!

E eu fiquei quietinho... As pedras dos olhos... Só fitando ele...